vozes

as vozes

pequeno burburinho
a tactear-me a nuca
apoiado com os dois braços
no banco onde me sento
seguro de si
para que não me sinta
seguro de nada
a bafejar aquele fétido aroma
a chumbo

por onde
aos pares
anda o mundo
ando eu acocorado
para que passe ao lado o dia
qualquer dia
para que
se me encontrarem
seja fácil dizer que estou à procura
de alguma coisa
muito pequena
quase invisível
mesmo estando eu a tentar passar
despercebido
ao lado dela

a hecatombe da vertiginosa audácia de vidro
a redonda e vilipendiosa taça
por onde os meus lábios passeiam
grita para que me esconda

eu obedeço
sem colocar qualquer questão

às vozes

1 thought on “vozes”

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