diário #7

Passei grande parte do dia a ouvir o Polka Dots and Moonbeams, do Bill Evans. Foi o primeiro álbum gravado depois da morte do Scott LaFaro, cúmplice eterno do Bill. Baladas atrás de baladas. Foda-se. Porque é que as baladas me fazem mais sentido que o resto das músicas? Tive esta conversa ontem: gostava que a felicidade me fizesse sentido, na extensão mais abrangente da palavra. Assim ia jantar fora com uma garota e não pensava “merda, quanto tempo é que vai demorar até se aperceber que não valho o esforço?”. Assim, se calhar, nem teria de ir jantar fora com uma garota. Sei lá. É tudo tão simples para os outros, se olharmos de esguelha.

I Fall in Love Too Easily destrói-me sempre que a ouço. Seja a versão que for. Parece escrita para mim. Parece que o Jule Styne pensou que haveria um gajo que fosse parvo o suficiente para acreditar em todas as palavras que o Sammy Cahn escreveu, e por isso fez uma melodia igualmente parva. Acho que é por isso que gosto tanto do Anchors Aweigh. Não por causa do Sinatra e do Kelly a contracenarem. Por causa da porcaria daquela música.

Passo o dia a ouvir destas músicas e a pensar sobre coisas várias, e depois perguntam-me se está tudo bem. Que raio de pergunta é “está tudo bem”? Não. Não está. Dificilmente estará, como qualquer pessoa com dois dedos de testa percebe (a não ser que não olhe para as coisas com “olhos de ver” – como diz a minha mãe).

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